Redação
Produzido em Barra do Garças, o documentário “Memórias de Alda” recupera a trajetória de duas mulheres ligadas à história da Expedição Roncador-Xingu e da Marcha para o Oeste: Alda Vanique e Diacui, indígena do povo Kalapalo.
Dirigido por Fátima Rodrigues, o curta coloca a presença feminina no centro de uma narrativa historicamente marcada por personagens masculinos, como militares, sertanistas e integrantes da expedição que avançou pelo interior de Mato Grosso.
As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (7) pela Revista Amazônia. Segundo a publicação, a produção reúne pesquisas e entrevistas realizadas com moradores e historiadores de Barra do Garças, Nova Xavantina, Cuiabá, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Alda Vanique deixou o Rio Grande do Sul em 1946 para viver no interior de Mato Grosso ao lado do marido, o coronel Flaviano de Mattos Vanique, que esteve à frente da Expedição Roncador-Xingu em seus primeiros anos. Em Nova Xavantina, Alda passou a fazer parte da memória ligada à formação do município.
O documentário também apresenta a história de Diacui, mulher indígena do povo Kalapalo que se casou, em 1952, com o sertanista Ayres Cunha. A narrativa aproxima duas mulheres de origens e realidades distintas, mas cujas histórias se cruzaram com as transformações provocadas pela ocupação do interior brasileiro naquele período.
Entre os entrevistados está Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, que esteve em Nova Xavantina em dezembro de 2025 acompanhado das sobrinhas-netas Isabella Smith Sander e Débora Smith Sander. O trabalho também reúne relatos e pesquisas históricas preservadas nas cidades envolvidas com a expedição.
A produção foi aprovada pelo Edital nº 15/2023 da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo. O projeto conta ainda com apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia.
A proposta da diretora é ampliar o olhar sobre a Expedição Roncador-Xingu, incorporando à memória histórica as experiências de mulheres que tiveram pouca visibilidade nos registros mais conhecidos sobre o período.
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